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Crónicas de um Intestino Irritável

Há quem diga que é o segundo cérebro do nosso corpo, há quem defenda que é o mais inteligente. Aqui ficam as crónicas de um intestino irritável com todas as suas peripécias e salamaleques.

Crónicas de um Intestino Irritável

Há quem diga que é o segundo cérebro do nosso corpo, há quem defenda que é o mais inteligente. Aqui ficam as crónicas de um intestino irritável com todas as suas peripécias e salamaleques.

A cevada para além da cerveja

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Intestinos amigos: sempre fui fãaaaa da cevaja! Mas só a conhecia em formato cerveja ;) continuo a ser fã da cevada-cerveja, mas ontem decidi ir conhecer a cevada-chá (também tenho lá a cevada-almoço na lista da experimentação).

Ontem, peguei nuns grãos de cevada que tostei numa frigideira sem óleo - é necessário este processo para se usar a cevada na criação do chá. Coloque água num tachinho, hortelã (4 pés) do vaso do quintal (que é uma varanda) e umas cascas de limão. Deixei levantar fervura, baixei o lume e deixei 5 minutos a ferver. Depois, ficou a arrefecer (tarefa mais demorada com o calor que estava) e no dia seguinte pus ao fresco. Hoje, adivinhem o que me vai "matar" a sede? :)

Na Medicina Tradicional Chinesa, este chá é usado como um calmante natural (não contem cafeína) e ajuda com problemas de sono. Para além disso, ajuda a limpar as impurezas do sangue, é diurética, antioxidante e tem propriedades antibacterianas.

 

Alimento com Vida - diferente? Sempre!

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Foi na minha consulta de iniciação à dieta Marcobiótica, com a Daniela Ricardo da Bio Family, que ouvi falar - pela primeira vez - de um tal Feijão Azuki. Quando fui às compras, fazia parte da minha lista por ter sido um dos alimentos destacados em consulta.

 

Hoje, decidi ir tratar dele :) 

Para quem não conhece, o feijão azuki é uma leguminosa selvagem originária do Japão. Chegou à Europa no século XX, depois de ter sido levado pelos emigrantes japoneses para o Brasil. É um alimento de grande riqueza nutricional, rico em proteínas, fósforo, cálcio, ferro, potássio, zinco, fibras solúveis e vitaminas do complexo B.

Para além de propriedades diuréticas, este feijão fermenta menos do que os outros. Auxilia na formação óssea, fortifica e regenera rins cansados, sendo indicado para disfunções renais, hipertensão e diabetes. Os japoneses utilizam-no na preparação de doces com sabor suave. O consumo de arroz com feijão azuki fornece ao organismo uma combinação nutricional completa.

Como outros produtos que tenho usado, este feijão deve ser deixado de molho em água durante 4 a 12 horas. Cozinhei-o, sem sal, numa panela normal (não tenho panela de pressão - assombraram a minha infâncias e ainda não são bem-vindas na minha casa) cerca de 30 minutos. Adicionei uma tira de alga Kombu e por 1 chávena de feijão adicionei 5 de água. Ele ficou macio e bem cozido - não tive problemas com a cozedura.

Depois, conforme tinha lido, aproveitei a água da cozedura para usar como chá - esta infusão é indicada para fortalecer os rins, a bexiga e os órgãos reprodutores, ajudando ainda a lidar com a obstipação e a eliminar o excesso de produtos animais do organismo. 

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Como os meus olhos (e cérebro) também comem, beber a calda da cozedura do feijão em formato de chá foi um conceito que me criou alguma confusão. Mas bebi. Se faz bem, nada como experimentar! O sabor é ao de uma sopa de feijão bem fraquinha e depois de se beber, a sensação é de conforto. Provem e digam-me se gostaram!

Já passei a receita a uma colega de trabalho que tem problemas de rins.

Normalização

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Já por aqui falei, anteriormente, nas possíveis dificuldades em mudar de regime alimentar quando não se vive sozinha ou se vive em casal. Penso que quando vivemos com colegas ou pais possa ser mais fácil, uma vez que basta começarmos a comprar as nossas próprias coisas e a cozinhar para nós. Contudo, quando vivemos enquanto casal - cujas refeições são partilhadas, programadas, pensadas e confeccionadas em conjunto - e quando a mudança é apenas de um dos elementos - a ginástica é maior.

 

Tenho falado com pessoas que passaram por este processo, com variadas histórias: umas o/a companheiro/a altera os hábitos também, outras recusa-se definitivamente, outras que contam como pode ser interessante e engraçado. No meu caso decidimos que cada um seguia com a sua dieta.

 

Posso dizer-vos que nunca tinha reparado como a comida - desde o processo de compra a cozinhar e comer - unia as pessoas. A força social do acto de comer é espantosa, sendo um motor inconsciente para muitos.

 

Tomada a decisão, já passei por várias fases: a do comer sozinha; a do ir às compras sozinha; a do fazer para os dois e não ser aceite; a do fazer diferente para cada um e a do outro ficar pouco apetitosa; a de comermos apenas fora para tentarmos fugir da hora da refeição em casa; a do tentar fazer uma base comum e mudar apenas um dos elementos (a carne); a do fazer peixe e peixe para dar para os dois,... penso que há uma sensação de abandono quando, numa relação, uma das pessoas muda um hábito comum. Fico feliz que esta sensação e situação esteja a ser ultrapassada, aos poucos, e a normalizar. Agora tudo flui com mais facilidade - embora ainda falte um pouco de óleo na engrenagem ;)

 

Hoje: duas frigideiras e dois tachos. Carne de peru numa e cubinhos de tofu na outra. Arroz integral para um lado, branco para outro. Natas de aveia e caril para os dois :)

 

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Uma granda Bolonhesa!

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Se há uma coisa que me deixava a salivar, era a Bolonhesa da minha mãe! Ah e tal, dias tristes: Bolonhesa da mãe; dias com pouco sabor: Bolonhesa da mãe; a precisar de mimos: Bolonhesa da mãe - e de preferência com muito queijo ralado.

 

Foi por isso que este fim de semana me dediquei a reproduzir tal e qual a receita desta Bolonhesa mas com Seitan em vez da bela carnuxa! Não é a mesma coisa - não poderia - mas ficou muito boa e substitui calmamente a outra. Eu e o intestino agradecemos :)

 

Fiz esta bolonhesa não só para acompanhar uma massa de Quinoa, mas também, por exemplo, para rechear legumes.

 

RECEITA DA BOLONHESA

 

Ingredientes

  • 500gr de seitan 
  • 1 cebola
  • 1 cenoura 
  • 3 alhos
  • 4 pés manjericão 
  • 1 molho de salsa
  • 1 pé de aipo
  • Louro
  • 1/2 copo pequeno de vinho branco 
  • Tomilho
  • 1 lata de tomate bio
  • 1 tomate maduro

Preparar

  1. Refogar a cebola e algo com louro e tomilho
  2. Adicionar cenoura e manjericão e salsa triturados

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3. Juntar a seitan e deixar a tomar gosto 10 min
4. Deixar refogar bem e juntar o vinho branco - deixar evaporar
5. Adicionar o tomate triturado
6. Mexer bem - baixar o lume - tapar e deixar 1 hora a cozinhar

 

Voilá!

 

Hoje o que veio à rede, foi peixe

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Ontem, ao jantar, foi dia de peixe. Nesta transição que estou a tentar fazer para uma "dieta" macrobiótica, o peixe ainda é um elemento constante e importante. Há dias em que ainda sinto que preciso de "susbtância", em que o meu corpo ainda pede mais. Afinal, era ao que ele estava habituado! O engraçado é que, paralelamente, há outros dias em que ele me pede específicamente Tofu, por exemplo. Algo novo, que nem apreciava muito - mas o malandro já gosta. Gosta, principalmente, de como se sente depois de eu o ingerir.

A escolha do jantar de ontem foi, então, salmão cru que encomendo na peixaria em lombinhos (bem gordos e arranjados), regado com molho Shoyu, limão e salpicado com cebolinho - a acompanhar um arroz integral apenas cozido.

Adoro!

 

 

 

Garlic Naan

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É uma das coisas que faz a minha barriga bater palminhas de contente: Garlic Nan - o pão que costumamos encontrar no restaurante indiano - agora todo ele com ingredientes maravilhosos e saudáveis! O que podíamos pedir de melhor?

Aos anos que ando a dizer a quem estiver comigo num restaurante indiano para ouvir, que um dia havia de ir ao "indiano" e refastelar-me apenas e únicamente de Garlic Nan. Esse dia nunca chegou e não vai chegar porque agora sei fazer este pitéu em casa! Não é propriamente uma receita super-mega-light, mas é divinal e só usa ingredientes bio. Ora vejam:

 

Ingredientes

  • 4 chávenas de farinha (usei branca - bio)
  • 1 colher de chá de Fermento (usei da Finestra)
  • Sal grosso
  • Meia chávena de água quente
  • 4 colheres de sopa de Azeite
  • Natas (creme vegetal) de Aveia

Mãos na massa

  • Colocar a farinha numa taça (grande)
  • abrir um buraco no centro e colocar lá o fermento
  • colocar sal em volta - sem que este tenha contacto com o fermento (senão, adeus pãozinho indiano!)
  • acrescentar a água quente (eu coloquei a ferver) no meio e começar a misturar a farinha, fermento e água com um garfo
  • Adicionar o azeite e ir misturando (com aquele amor)
  • Deitar as natas ao pouco e ir mexendo até a mistura ficar sem colar, fofa e mole

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Deixar levedar 45 minutos num sítio quentinho e aconchegado.
Amassar mais um pouco e deixar repousar mais 20 min.
Fazer "bolinhas", esticar bem a massa com o rolo e colocar numa frigideira anti-aderente.

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Untar com massa de alho feita em casa.

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Onde come um, comem dois

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Diz o provérbio português que: "onde come um, comem dois" - mas nem sempre é bem assim. Desde que comecei a mudar a minha filosofia alimentar que a ginástica que precede à hora da refeição se tornou... mais intensiva.

Organizar a agenda das refeições e cozinhar nunca foi uma tarefa encarada com paixão. Mas, o pessoal chegava a casa - ou à saída do escritório - e mandava para o ar: "O que havemos de jantar?". Umas vezes lá decidia-se pelo caminho e ainda se parava a tempo de encontrar a mercearia do Sr. Manel aberta. Outras era certo: "encomendamos". Acontecia, também, não nos ocorrer nada e acabarmos os dois com a cabeça dentro do frigorífico a analisar o que para lá estava enquanto aguardávamos que uma ideia genial se apoderasse de um de nós. Não posso deixar de mencionar os "restos" - o supra-sumo do bem bom!

Agora é diferente: tem de se pensar em duplicado! Valha-nos aos céus que ainda somos só dois, senão teria de programar a triplicar! Assim sendo, a pergunta sofreu um update - agora a questão é o que cada um de nós vai comer? Isto porque a decisão da mudança de filosofia alimentar é tomada por uma pessoa em consciência - não, orbigatóriamente, pelo colectivo do seu agregado familiar.

Com tanta novidade, o fogão ficou hiperactivo: duas panelas de arroz - uma com o integral e outra com o branco (mas a alga Kombu foi aproveitada para os dois pois faz muito bem). Numa frigideira - o peito de pato (já nem o consigo cheirar!) e no tabuleiro do forno o seitan. 

Nem tudo são facilidades, mas vale sempre a pena.