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Crónicas de um Intestino Irritável

Há quem diga que é o segundo cérebro do nosso corpo, há quem defenda que é o mais inteligente. Aqui ficam as crónicas de um intestino irritável com todas as suas peripécias e salamaleques.

Crónicas de um Intestino Irritável

Há quem diga que é o segundo cérebro do nosso corpo, há quem defenda que é o mais inteligente. Aqui ficam as crónicas de um intestino irritável com todas as suas peripécias e salamaleques.

Vai dar banho... ao intestino!

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Ontem, "encontrei" 2 artigos que pretendo partilhar aqui. :)

Deixo o primeiro, escrito em 2010 no blogue Estética in Natura.

Permiti-me de passar do PT do Brasil para PT de Portugal.

 

A Importância da Lavagem Intestinal


Porque usar a terapia COLON-HYDRO?


"A morte encontra-se no intestino" - é uma antiga sabedoria?

O intestino está submetido a um stress permanente devido à forma convencional de nos alimentarmos: uma parte excessivamente grande dos alimentos ingeridos é formada por alimentos desnaturalizados com um baixo conteúdo em fibras vegetais, um alto teor de gordura e açúcar, agentes conservadores e outros aditivos químicos. A mastigação reduzida, a rápida ingestão assim como os problemas psíquicos favorecem os transtornos intestinais e digestivos.


A manifestação mais frequente são: a prisão de ventre ou a flatulência, uma sensação de pressão e peso no corpo.
As substâncias residuais a serem eliminadas que permanecem por um tempo excessivo no sistema digestivo, apresentam uma forte tendência a fermentarem ou a se decomporem. Em ambos os casos, a consequência é uma rápida proliferação de bactérias nocivas, micoses e outros venenos. Devido à reabsorção, produz-se, inevitavelmente, uma auto-intoxicação. Numerosas doenças têm a sua origem nesta auto-intoxicação.

Campos de aplicação da terapia COLON-HYDRO - Mencionamos as principais indicações terapêuticas:

  • obesidade
  • ventre dilatado
  • obstipação 
  • flatulência 
  • diarreias
  • cólon irritável 
  • obstipação aguda
  • infecção parasitaria
  • colites ulcerativa
  • diverticulitos
  • doença de Crohn
  • limpeza de colostomia 
  • hipotermia/Hipertermia
  • dermatosis

 

FONT:
Paula Ilhéu e equipe (Daniele, Patricia)

www.esteticainnatura.blogspot.com

O dia em que emprestei a minha solidão

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Por vezes, de X em X tempos, acontecem aqueles encontros a que algumas pessoas chamam de "improváveis". De quando a quando - quando tudo estagna, uma fase termina e tudo parece prestes a rebentar cá dentro: fico à espera deles como um rato que vai sair de casa e ser apanhada por um gato. São pessoas-chave que aparecem nas nossas vidas em determinada época, que connosco pegam nela, nos dão uma colher gigante para a remexermos, a ajudam a transformar, nos chocalham e erguem pontes. Aparecem em conjunto ou sozinhos e onde tudo parecia estar a ficar escuro, aparece luz.

 

Hoje foi um desses dias por aqui e o intestino bateria palminhas de contente - caso tivesse umas mãozinhas para o fazer. Na falta delas, bato eu.

 

Há cerca de 15 dias que comecei a trabalhar um tema traumático que me afectou no início da Primavera e que eu havia arrumado numa gaveta na esperança que ficasse lá dobrado e guardado - bem quieto e seguro. Ontem foi o dia em a gaveta se abriu e dela saltou tudo o que eu esperava lá ter ficado. Saltou, perseguiu-me e cercou-me por vários lados. Foi neste tumulto interior que recebi uma chamada de uma amiga que ajuda na organização e logística de um espaço chamado Alma Cheia, a contar que uma nova terapeuta tinha ido visitar o espaço e que ela tinha pensado em mim. Era uma pessoa chamada Paula, qualquer coisa sobre nutrição... bláblá... novo método... bláblá...Sem pensar ou ouvir, disse-lhe: tenta agendar uma consulta para mim. Aquelas decisões que são óbvias e que, assim que tomadas, pensamos no porquê de as termos tomado. Quando assim é, desligo o complicómetro o máximo possível. A consulta foi marcada para hoje (que rápido - a sério?) e, antes de me deitar, pensei que talvez fosse melhor desmarcar (que raio ia lá fazer?). Não desmarquei: desliguei e dormi.

 

Hoje lá estava. Antes da consulta comecei a ficar realmente nervosa e impaciente. No meu fundo, sabia que ia ser importante e que ia ter de voltar ao de cima e assumir a vontade de mudança. Isso, às vezes, custa. Outras, dói. Outras, custa e dói. É chato e dá trabalho e pfffff - nós gostamos tanto de viver de papo para o ar. Entrei, descalcei-me sem perguntar (casa, casa - vou por-me à vontade como se tivesse em casa - normalizar - fingir que não me importo e que estou como um peixe na água - afinal, porque raio estou nervosa?!). A terapeuta/especialista - Paula - era diferente do que imaginava: mais baixa. Parei de pensar. Entrámos na sala: a consulta começou (o que é que a Paula faz mesmo? Devia ter prestado mais atenção ao que me foi dito...). Vamos directas ao assunto: viaje até a um momento de grande sofrimento para si (assim tão rápido, sem mais nem menos - OMG e agora?). Vários momentos - 3 para ser mais concreta - passam-me pela cabeça. "Quando nasci" - oiço-me a dizer. Que ironia, sinto-me uma farsolas coitada. Porque será que disse isto? Porque sim. Mas não gosto de estar viva? Gosto sim: uns dias mais, outros menos - mas não quero morrer. Então? Não sei, apenas parece que fui obrigada e não me apetecia. Bom, vamos continuar. Falámos de sentimentos. Que tipo de tristeza sinto? Solidão... Que tipo de solidão? Duas: aquela que se sente quando se está rodeada de pessoas que nos deviam conhecer, mas não conhecem e aquela outra, em que nos sentimos sozinhas no mundo e sem compreensão. E se essa solidão fosse uma peça de roupa, o que seria: umas jardineiras. Descortinámos as jardineiras e a consulta avançou mais um pouco. Emprestas-me as jardineiras durante 30 dias? Sim... porque não? Não me importo de emprestar coisas. Escrevemos um pacto - comprometo-me ao empréstimo. 

 

A consulta continuou, embora não a vá descrever toda hoje. Seria demasiado longo e ainda está demasiado no meu sentir apenas - nem tudo se coloca por palavras sempre. A terapeuta chama-se Paula Mouta e é uma terapeuta de Nutrição Funcional (e tanto mais!). A sua energia - no meu sentir - é bondosa, doce, muito maternal. A sua auto-confiança e amor-próprio contagiaram-me: também quero isso para mim - quero amar-me o suficiente para me achar deslumbrante e me defender, nutrir e acarinhar. O projecto da Paula chama-se In Vivo - Nutrição Funcional - Um modo de vida saudável e podem ler mais sobre ele aqui. Vão ouvir falar muito sobre esta nova experiência por aqui, uma vez que este método integra um programa de 7 fases - todas elas com 21 dias de implementação. Vou contando e partilhando mais sobre o projecto e sobre como o estamos a viver: eu e o intestino! ;)

 

No centro está a virtude

 

Esta foi uma semana muito preenchida em trabalho e por isso andámos mais afastados. Hoje, abri a plataforma do blogue e fiquei a olhar para o espaço vazio do título e de onde deveria escrever. Sei que há algo para escrever, que há tanto para partilhar, mas o tema não está definido. Pela primeira vez - em muito tempo - isso não me frustra, não me assusta, não me faz sentir que estou a falhar. Começo a escrever não para me evadir e mostrar a pessoa que gosto de mostrar que sou, mas para me mostrar a mim mesma. É importante sabermos fazer isso, certo? Numa sociedade em que vestimos as nossas fatiotas dia e noite, porque não apenas SER uma vez ou outra? Não é o que nos ensinam as terapias, livros, palestras de desenvolvimento pessoal? É... mas saber e sentir são coisas diferentes.

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Hoje escrevo em paz comigo mesma - assaltou-me a sensação de que tudo está no sítio certo. Por "norma", tudo está sempre certo, na altura certa. Tudo está cuidadosamente estruturado para ser como é. Apenas hoje aceito isso sem que o meu mental tente boicotar essa aceitação. Sinto-me centrada e estou grata por isso.

Quem tem cu, não tem de ter medo

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Devo dizer que hoje o intestino ficou bem irritado com a minha pessoa: decidi fazer com que saísse da sua zona de conforto. Ele não gosta, nada, nada, nada. E faz questão de mo deixar bem claro. Desta vez, não lhe dei ouvidos. Ou tentei ao máximo não o fazer. 

À medida que fui crescendo fui dando importância à noção de perigo, fui alimentando medos como o da dor, da morte, entre outros. Lembro-me de um exemplo claro de quando isto começou: quando era criança, sempre andei na ginástica e fiz desporto. Na tal ginástica, fazíamos uns saltos por cima de umas coisas cujo nome já nem me lembro. Será que foi noutra vida? Um dos exercícios exigia que déssemos um salto numa rampa para depois, darmos uma cambalhota por cima da tal coisa que parecia um lombo de um cavalo. Um dia, só assim, pensei: se enrolo mal o pescoço, posso parti-lo e não voltar a mexer-me. Devia ter 9 anos. A partir daí, comecei a ter medo de uma série de exercícios.

Para a dor foi a mesma coisa - nem sempre tive medo da dor. Fui uma criança com algumas complicações no sistema digestivo - tive de me submeter a exames médicos desagradáveis e dolorosos -, usei aparelho tendo de ir ao dentista várias vezes,... nunca reclamei da dor pois sabia que tinha de o fazer. Comecei a ter medo da dor quando fui morar sozinha aos 18 anos. Pude, pela primeira vez, recusar algo e comecei a encontrar-me.

Durante anos recusei-me (e ainda o faço com frequência) a sair da minha zona de conforto. Sempre que o faço, o intestino fica mesmo irritado e tenho de fugir para o WC mais próximo para ele se sentir seguro. É uma questão nervosa e mental. Uma vez ou outra, desafio-o. É como quem diz, desafio-me. Pretendo fazê-lo mais e mais. Ter medo e ficar enrolada sobre mim mesma é igual a não viver; é igual a sobreviver. Não quero mais isso para mim, não quero ser essa a mulher que o meu companheiro vê ao seu lado ou a futura mãe de hipotéticos filhos. Quero sentir conscientemente. Não quero pensar no medo que algo me faz, quero sentir medo (ou não) a fazê-lo. Quero que o meu leque de interesses e experiências sejam mais abrangentes do que viajar  em livros e séries no meu sofá.

Por isso, quarta - um dia muito especial - fui experimentar Stand Up Paddle no mar da Caparica. Avisei o instrutor que tinha medo de levar com umas ondas valentes na tromba enquanto entrava para o mar - mas que sabia bem nadar e gostava de água. Não lhe disse que mesmo sabendo que não há tubarões por cá me assegurei que não tinha uma ferida a sangrar e que me contive de fazer um belo xixi na água - só para não correr o risco de ver uma barbatana a vir na minha direcção - nunca se sabe! Não me lembrei - antes de entrar na água e me afastar da costa - que se tivesse um ataque de pânico ou me sentisse mal não estava em local seguro e de fácil acesso. Lembrei-me disso quando já lá estava e tentei não dar importância a esse pensamento. Mas também me lembrei o quanto gosto de sentir a água fria na minha pele, de mergulhar, de desafios, de me sentir viva.