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Crónicas de um Intestino Irritável

Há quem diga que é o segundo cérebro do nosso corpo, há quem defenda que é o mais inteligente. Aqui ficam as crónicas de um intestino irritável com todas as suas peripécias e salamaleques.

Crónicas de um Intestino Irritável

Há quem diga que é o segundo cérebro do nosso corpo, há quem defenda que é o mais inteligente. Aqui ficam as crónicas de um intestino irritável com todas as suas peripécias e salamaleques.

Fim de ano e um nó no Intestino

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O fim dos anos são sempre muito complicados para nós (eu mesma e para o intestino também!): esta sensação de algo inacabado, prestes a acabar - na qual tudo fica em suspenso - deixa-nos meio loucos. 

 

Em todos os fins de ano, normalmente 1 mês antes, começamos sempre com esta sensação sufocante de que tudo fica em suspenso. Invade-nos uma vontade que tudo acabe logo para depressa vir um novo ano - como quando o dia começa depois de uma noite bem escura e longa. É como estar debaixo do mar e poder, por fim, chegar à superfície e respirar. Nem sempre este sentimento tem razão de ser - por vezes apenas lá está. Mas este ano, para além de ter começado mais cedo, todas as semanas acontecem pequenas coisas. Umas marretadas na cabeça que nos vão enterrando aos poucos na lama fria.

 

Penso que a isto se chame vida: ao mesmo tempo que é insuportável e sufocante - é maravilhoso assistir à sua sabedoria, pois ela não faz nada em vão. E quando assistimos às causas sabendo os porquês, tudo ganha uma nova dimensão e é como se um nós se desfizesse numa alegre dança de luzes.

Intestino no Feminino

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Acredito que a nossa caminhada nesta jornada é feita de etapas - e que cada etapa tem um ou mais temas de aprendizagem associados. Para mim, desde uma determinada tomada de consciência, estes revelam-se bastante claros. Quando assim o é, é vital ficarmos atentos ao mesmo e percebermos o que é que ele nos sussurra ao ouvido - que dança quer ter connosco. É uma chamada de atenção para aprofundarmos o nosso conhecimento sobre o assunto, ou é apenas para trabalharmos a temática em nós mesmos? É para mudarmos a nossa forma de estar relativamente ao que nos é proposto? Estamos em ponto de viragem e mudança - relativamente a esse assunto? Ou aquele tema surge porque estamos a mudar alicerces e ele vem confirmar esse trabalho?

 

Neste momento, estou a trabalhar, pelo menos, 2 grandes temas e há um - ao qual não estava a dar tanta importância assim, que tem vindo a acenar-me com mais euforia a cada semana que passa: o do ciclo feminino. A escuta activa do corpo feminino para uma jornada mensal mais plena, consciente, frutífera e equilibrada.

 

Sempre fui daquelas pessoas que não escuta o seu corpo tanto quanto podia, sendo que sabia a data da menstruação e a data em que ela deveria vir. Parecia o bastante. Depois do meu percurso durante este ano, e sendo que ando a trabalhar o meu útero mais activamente nos últimos 2 meses, escutar mais o meu ser feminino chama por mim a cada dia que passa.

 

2016 foi, decididamente, o ano em que o feminino, a maternidade, o útero e todos os símbolos do que é ser mulher se destacaram. Se houvesse "a Palavra do Ano" no meu universo pessoal: feminino seria, sem dúvida nenhuma, uma das potenciais vencedoras. Imagino na quantidade de mulheres que, como eu (até agora) têm mais do que pensar no que em escutar o seu corpo - o seu "Eu" feminino. Mas desde que fiquei atenta a este tema e o comecei a sentir em mim, há coisas engraçadas que acontecem. Este mês, tenho quase a certeza que senti a minha ovulação. Tenho muitas amigas que a sentem, mas eu nem isso.

 

Esta caminhada que começou mais activamente com a consciência de uma série de problemas no aparelho reprodutor (primeiro foram os ovários poliquísticos, depois o útero que tem um septo), vai-se desenvolvendo como uma brisa que segue a corrente de um rio: leve, solta e fluida. Em Outubro, participei pela primeira vez com sentido e consciência na Bênção do Útero - uma meditação temática planetária que está ligada ao nosso eu feminino.Fiquei a saber que há mulheres que estudam os seus ciclos e os associam às Fases da Lua, tirando daí um conhecimento que elas consideram fundamental. Tomei conhecimento de um projecto interessante: o Tesouro de Lilith, onde li sobre o respeito pelos nossos ciclos:

"O ciclo menstrual proporciona-nos uma grande sabedoria de nós próprias e da natureza que nos rodeia. É muito fácil de entender se observamos as estações!"

 

Enfim, percebi que o meu EU Feminino era importante para saber contar a minha própria história, e crescer dentro dela. Faz parte do nosso rumo, do nosso equilíbrio e que está em nós. É algo importante de ser resgatado como sabedoria interna e ancestral. Que se olharmos para a natureza em busca de inspiração, percebemos que a vida surge a partir de momentos como este com um grande potencial de renascimento - como que uma semente oculta prestes a romper a terra e brotar.