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Crónicas de um Intestino Irritável

Há quem diga que é o segundo cérebro do nosso corpo, há quem defenda que é o mais inteligente. Aqui ficam as crónicas de um intestino irritável com todas as suas peripécias e salamaleques.

Crónicas de um Intestino Irritável

Há quem diga que é o segundo cérebro do nosso corpo, há quem defenda que é o mais inteligente. Aqui ficam as crónicas de um intestino irritável com todas as suas peripécias e salamaleques.

Um intestino ZEN - Como tudo começou

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Desde cedo tive interesse em algo mais do que o que me estava a ser explicado. Venho de uma família católica e a minha mãe - e família em geral -, na altura, não falavam em crenças paralelas ou diferentes. Apenas porque não se ouvia falar, não se pensava nisso: havia aceitação, mas ainda não havia abertura de consciência.

 

Nas horas livres, pela mediateca da escola comecei a consultar um livro enorme e ilustrado sobre fenómenos sobrenaturais. Devo confessar que deixavam o intestino um pouco nervoso, mas era mais forte do que eu continuar a ler histórias sobre casas assombradas que tinham, em suas entranhas, cemitérios antigos. Depois, comecei a ler Paulo Coelho. Foi o primeiro autor do género e o que era mais acessível. Lembro-me que o livro "Brida" me balançou particularmente. A seguir, foi Brian Weiss... "Só o Amor é Real" foi devorado em 3 horas, enquanto era suposto estar a estudar para o exame de Português.

 

Só mais tarde, o intestino foi para a faculdade, é que comecei a integrar algumas experiências que me abriam mais umas portas para um maravilhoso mundo que - até então - apenas conhecia através da leitura. Tenho um caderno que me segue desde então, no qual tenho uma árvore onde gravo o nome (por ordem) de todas as pessoas que me ensinaram algo, me inspiraram e guiaram neste mundo maravilhoso em que estudamos a nossa Energia, a do Universo, as terapias alternativas,... o primeiro nome dessa lista, é o da Fátima Marques.

 

Conheci a Fátima - e, com ela, os conceitos de Constelações Familiares e Massagem Biodinâmica - em 2003. Foram as minhas primeiras formações ou workshops em "algo novo". Fiz terapia com ela, e ainda hoje não nos lembramos ao certo de como ou porque é que parámos os nossos encontros da altura. Abaixo um texto que escrevi após um workshop dela chamado "Relações que curam":

 

“A sua tarefa não é procurar pelo Amor, mas meramente procurar e encontrar todas as barreiras dentro de si que construiu contra ele.”, Rumi

 

Relações que curam

Como é que interagem duas pessoas? E como se conseguem relacionar? Será que estamos abertos a uma mudança e a uma cura interior? Em relação à nossa vida, podemos ter dois tipos de atitude: de aproximação ou de evitamento. Quando seguimos o caminho do evitamento, deve-se ao facto de termos tido uma ou mais experiências difíceis no nossa vida e ao facto de termos medo que voltem a acontecer, fazendo com que as evitemos de forma inconsciente. A nossa energia fica ocupada em evitar todo o mal que nos possa acontecer e não em procurar o que nos possa fazer feliz. Com esta abordagem, nós não vivemos, sobrevivemos.

 

É importante sobreviver! O que é perigoso é habituarmos-nos a este meio de subsistência e continuarmos a comportar-nos como nestas alturas de maior mágoa e sofrimento como se ela fizesse parte do presente e não apenas do passado. Os nossos níveis de stress e de ansiedade mantêm-se, condicionando a nossa independência e as nossas liberdades de escolha. Transformamos-nos no elefante do circo que em adulto não foge devido a ter sido preso a uma estaca pesada em pequeno. Apesar de todo o esforço, o elefante bebé não se conseguia libertar. A estaca era muito pesada para ele. Em adulto, devido a esta experiência, o elefante não se solta mesmo que esteja preso a uma estaca muito pequena por acreditar que não pode. A esta atitude, a Psicologia Positiva chama de Desamparo Aprendido. Assim é grande parte do ser Humano que ao fim de ter sido impotente para fugir durante muito tempo, aceita o "sempre foi assim e sempre o será". Isto faz com que não nos apercebamos da mudança das circunstancias na nossa vida.

 

Passamos muitos anos a tentar ser diferentes daquilo que realmente somos, para encaixar no nosso espaço circundante. Queremos ser melhores e/ou perfeitos, tornando-se necessário a procura de ajuda para nos conseguirmos libertar das orientações exteriores que nos foram embutidas desde a infância. Para que consigamos recuperar a nossa própria orientação, aquela que se adequa a nós e nos levará a uma vida plena e autónoma.

 

A divisão entre a nossa parte boa e má, foi aprendida através das reacções dos outros, através do olhar dos outros. Daí que a solução também esteja no olhar dos outros para que consigamos esta aceitação: “onde esteve o dano, encontramos a cura”.

Aprendemos a amar com os nossos pais e eles com os deles. Mas será que eles eram capazes de amar incondicionalmente? É que este é o único tipo de amor, uma vez que o amor condicional, não é amor. Será que aquilo que aprendemos a chamar amor, é realmente amor? Quantas vezes a repressão não foi feita em seu nome? Quantas vezes o amor não vem misturado com dor, incompreensão e violência? Mas esses não fazem parte do amor. Vieram em conjunto mas não são a mesma coisa. Quando nos habituamos a chamar a esse conjunto amor, inevitavelmente aprendemos a ter medo de amar. Não queremos ser magoados outra vez, associamos o amor à humilhação e à dependência.

 

Na nossa vivência, estamos tão envolvidos na nossa própria historia, no nosso “eu”, que muitas vezes não conseguimos dar ao outro aquilo de que ele precisa, nem receber dele aquilo que precisamos. Podemos reaprender a experienciar um estado de ressonância com o outro, em que o vemos e o aceitamos, o sentimos, tal como ele é, e somos vistos e aceites como realmente somos. Este é um estado de amor adulto e autónomo, liberto de condicionamentos. Para algumas pessoas, poderá ser totalmente novo!

 

 

Saiba mais sobre a Fátima Marques, aqui.

 

Chamem a parteira!

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Descobri-a ontem pela Netflix - enquanto por lá deambulava melancolicamente e pensava no que iria ver a seguir. A aguardar que algumas das minhas séries de eleição recomecem, deparei-me com uma imagem que me chamou à atenção. O título da série: Chamem a parteira! Pouco atractivo, confesso, mas algumas pontas soltas revelavam que o trama poderia ser o de uma série de época e fui espreitar... E era! Fiquei logo rendida no primeiro episódio!

 

Ainda não tinha encontrada uma substituta deste género, que me aconchegasse tanto quando uma bela tarde de Downton Abbey. :)

Intestino virado para a Lua... Nova

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“Uma ostra que não foi ferida não produz pérolas”
 
Hoje, até os cientistas sabem e aceitam que o Sol e a Lua têm influência sobre a Terra. Assim sendo, sabemos que a Lua Cheia tem influência sobre o comportamento humano, e que as fases lunares estão associadas às marés. Os biólogos observaram que as ostras abrem-se e fecham-se a horas precisas e que essas horas são regradas às diferentes fases da Lua.
O certo é que a Lua nos orienta e nos influência tanto na nossa força, como nas nossas fraquezas, nos nossos desafios, desejos, ambições,... a Lua é o nosso espelho emocional.
 
Desta forma, em Carneiro temos a primeira Lua astrológica: significando RENASCER para a Vida, para o nosso Propósito, para a nossa Missão com mais dinamismo. O princípio de uma nova oportunidade, recomeçar algo que tanto desejamos e sentimos – ou, simplesmente, o primeiro passo, a primeira pedra, a primeira pérola para um projecto ou, apenas, uma oportunidade para uma nova atitude perante os nossos diversos desafios. Um novo olhar para as diversas partes da nossa vida, que se podem agora começar a encaixar no TODO.
 
 
Lua Nova significa sempre um “casamento” entre o Sol e a Lua: casal perfeito pronto para fecundar – mas, agora, em Carneiro: o primeiro signo de Fogo. Consequentemente, somos convidados a sair para a Acção. Sim, um pouco como o primeiro passo da criança ou o rebento da flor. Recordamos que o fogo é paixão, o desejo de algo que tem força, mas o Fogo de Carneiro é, simplesmente, a vontade, o despertar, o início – mas não a concretização. Agora, é tempo de acreditar e fazer as mudanças necessárias pois temos protecção.
 
Mudança, busca e curiosidade para novas experiências. Contudo, é preciso saber onde se quer ir e porque queremos ir neste determinado sentido. Mesmo no meio de uma certa desordem e mau-estar. Assim, estamos então a ser convidados a dar início ao nosso SONHO, mas com uma nova força, coragem – que necessita estar em equilíbrio com o Todo. Em confiança sim, mas em resiliência também. Não nos devemos esquecer que fazemos parte de algo que sabe o porquê das coisas. Logo, tempo de surgir uma mudança pela nossa escolha, nem que seja porque agora apenas optamos por nos adaptar à nossa condição actual. Desta maneira, podemos mais facilmente aceitar a mudança e a modificação e compreender o que ela nos pode oferecer.
 
Texto da homeopata Manuela Alves.

O fácil que é esquecer o simples

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Escrevi estas palavras para uma querida amiga e companheira.

Hoje ela respondeu-me... as suas palavras fizeram vibrar cada célula do meu Ser. Reli o que lhe escrevi... e achei que este email não deveria ficar guardado "na gaveta".

....................................................

Minha querida,
 
pequena centelha que passa a levitar quase invisível e consegue iluminar toda a minha Alma. Sou muito grata por te ter encontrado, aqui e agora. Estou muito grata por sermos amigas do coração e por sentir este sentimento especial pelo teu Ser - certa de que já nos cruzamos muitas vezes. És como uma fada: sensata, discreta e mágica - no meio do turbilhão que sou eu.
 
Agora que te lembrei, nunca me vou poder esquecer de ti nesta vida... nem noutras que nos cruzemos, certamente. Sinto-me abençoada sempre que encontro alguém que me preenche a Alma e o Coração - sinal de Amor. É o que de melhor há nesta vida - estes cruzamentos e estes laços que perduram. Quase me esquecia disso...
 
Aliás, hoje e nos últimos dias, tenho-me esquecido de muita coisa. É incrível como nos esquecemos das coisas mais básicas e simples! É mais incrível, ainda, que eu tenha de ir até ao fundo de um poço para me lembrar de mim, para me ouvir, para me encontrar. Acontece-me demasiadas vezes: esqueço-me com tamanha rapidez dos meus propósitos!
 
Vou ter de escrever os meus 10 mandamentos, imprimir e ler todos os dias de manhã!
 
Acho que seriam:
  1. Sê fiel a ti mesma - ao teu sentir;
  2. Vive um dia de cada vez e elimina tudo o que não te traz tranquilidade do teu dia;
  3. Tudo o que te cria ansiedade ou más emoções deve ser excluído de ti;
  4. Olha para os outros com Amor - Vive com pessoas por quem o possas sentir;
  5. Acredita em ti;
  6. Defende e não te esqueças dos teus propósitos e convicções;
  7. Imagina-te a fazer o que te faz Feliz;
  8. Sente-te parte do Todo - há tanto para além do que está à tua frente;
  9. Sê justa;
  10. Ama-te.
É tão fácil. São aquelas frases feitas "sente o que o teu coração te diz" que de tão simples, parece que complicam. E esta minha ânsia de saber tudo e ter de ter tudo organizado. Esqueço-me do quão bom, seguro e tranquilo é ser fiel a mim.
 
É tão fácil esquecer, realmente. 
Bastam desafios/testes aparecerem e lá vou eu.
 
Há um medo... de ser franca, de me respeitar. 
Pode ser que venha de outros tempos, este medo, e por isso me deixe levar tanto por ele.
Medo de dizer que não. Medo de por travões. Medo de me afirmar.

Histórias estampadas

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A nossa história e vida está escrita no nosso corpo que é como um livro, um mapa, aberto - que só nós conseguimos verdadeiramente decifrar. Cada ruga, cabelo(s) branco(s), cada sinal, cicatriz, dente torto, mais escuro ou falta dele: transporta-nos para uma época, altura, idade ou circunstância. O relógio continua a funcionar, com mais ou menos corda, e nós continuamos a fluir, com ele, pela vida.

 

Podemos deparar-nos com os nossos traços de história todos os dias. Mas não são só eles que estão impregnados da energia de momentos vividos que nos tornam quem somos. Há outras coisas que nos falam, em sussurros, sobre outros tempos: e a história que nos vão segredar ao ouvido, pode nem sempre ser a nossa. Sempre que visito um monumento ou local de antigamente, sinto algo no ar que me põe, automaticamente, em modo contemplativo - quase que apático. É como se os meus sentidos e energia se tornassem pastilha elástica e se moldassem a tudo o que aquelas paredes testemunharam, escutaram e a tudo o que se por ali viveu. Começo a imaginar... e viajo.

 

Ontem, deparei-me com um lugarejo assim. Algures, perdida perto de Vila Real, numa aldeia, uma casa descansava - ainda com janelas e telhado - de porta fechada.

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Por entre silvas, entrei. No interior, vários relógios espalhados - principalmente num dos quartos pequenos e toscos - riam-se de nós, do Tempo. Um deles ainda mostrava toda a sua vitalidade por detrás do seu pujante tic-tack. Olhando para as paredes, pensei que histórias escondiam: quantos filhos nasceram ali? Quantos netos lá pernoitaram? Que odores dançavam dentro daquele fumeiro? Quantas vezes foi despejado aquele penico que repousava, ainda, debaixo de uma cama cujo colchão era o banquete vivo da bicharada?

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Pelas paredes, crenças impressas rejubilavam preces fervorosas que talvez tenham sido ouvidas: a fome que não foi grande naquele inverno, a praga que não atacou as árvores de fruta, os grãos que - dia após dia - continuavam a crescer na arca onde estavam, religiosamente, guardados. O vinho... que alegrava vidas mais tristes e aquecia tripas friorentas. Quem sabe?... Um Santo António erguia-se, majestoso e cuidador do menino que carregava nos braços, contudo, sem cabeça. Alguma discussão que se lha fez perder? Talvez tenha ficado demasiado tempo de castigo, cabeça para baixo, por não ter arranjado casamento às donzelas da casa?

 

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Nesta casa de gente simples: pequena e despretensiosa, um espelho pendia à porta. Seria para o agricultor se mirar, ao raiar da madrugada, antes de sair para a lavoura barriga cheia de sopa de feijão? Ou seria para ao domingos, antes de irem para a missa, poderem atestar que tudo estava nos devidos conformes?

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Um espelho ao contrário

 

Hoje, ao assistir ao filme "HUMAN Extended", muita coisa me passou pela mente... contudo, decidi começar a escrever quando acabei de assistir ao "capítulo" referente ao trabalho. Enquanto ouvia aqueles depoimentos de pessoas, enquanto olhava para os seus olhos, cabelos, lábios... pensava no quanto as sociedades modernas - eu, nós - fizemos a coisa de uma forma torta. Por muitos motivos, na certa, mas de repente pensei: "Passo a vida nas Redes Sociais, a querer seguir exemplo de pessoas que obtiveram - o que considero ser o sucesso - nas suas vidas, desejo espelhar-me nelas, nas aparente felicidade e triunfo delas (que deve estar longe da realidade - apenas somos, na WEB, o que queremos parecer) e esqueço-me da grande maioria da população mundial. Porque não me espelho na pessoa que toda a vida trabalha de manhã à noite para conseguir viver, tem um trabalho duro, e viverá pobre toda a sua vida? Porque não oiço histórias reais e percebo que a vida são batalhas, desafios e aprendizagens e não estrelato? Porque me esqueço que o crescimento não acontece sem superação? 

 

Eu acredito que no Universo tudo tem um propósito e, por isso, consigo aceitar que a evolução da nossa sociedade acontece assim por algum motivo que me pode transcender. Mas, algumas vezes, a minha mente humana questiona: num mundo onde a proximidade física e online devia estancar a solidão, porque a solidão nos contaminou? O que aconteceu connosco para nos sentirmos sós no meio de tanta gente que nos rodeia? Numa era de informação, como é que o diálogo e criando estranhos que vivem dentro da mesma casa? Com uma ciência que nos explica que todos somos compostos por células, que tomos temos uma mente brilhante, que todos somos feitos do mesmo - quando perdemos o sentido de espécie e começámos a nos dividir, discriminar e combater?

 

Apesar destas questões, sinto que chegámos a um tempo de ruptura e caminhamos para o mundo onde a maioria dos seres humanos estão a conseguir quebrar estes padrões comportamentais: sentindo o respeito pelo outro e dignificando o Amor como base de tudo. Eu ainda não sou totalmente assim - não quero com esta exposição ser hipócrita ou apontar dedos. Apenas quis partilhar convosco alguns fluxos pensantes que transitam pela minha mente e coração. <3 Alegro-me por imaginar essa Nova Era. <3

Dia Ganho!

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Dia ganho!

Não só por ter acordado ao lado de uma alma linda que amo; não só por ter tido o meu gato a dar-me mimos de "bom dia"; não só pelo sol brilhar; não apenas pelo meu corpo vibrar saudável,... ... mas porque hoje foi dia de enfrentar medos! Foi um dia de sucesso pessoal, de empoderamento interior, de crença, de esperança. 

 

Decidi deitar a minha vasta e antiga caderneta de cromos onde coleccionava os meus medos, os guardava e apaparicava todos os dias, fora. Dizem que decidir e querer é o primeiro passo... EU QUERO. E assim vou fazer e tentar todos os dias, até eles desaparecerem (pelo menos os esquisitóides pouco normais e saudáveis). Por agora, estou de coração cheio. Mas, esta semana, haverá mais. O pânico vai tentar dissuadir-me. A minha mente vai fazer um malabarismo de truques. E eu vou ignorá-los e seguir em frente. Sei que haverão vezes em que vai ser fácil, outras mais desafiantes... sei que acontecerá ter vontade de fugir e até, naquele dia e momento, fugir. Vou aceitar tudo isso e esforçar-me ao máximo. Só por hoje, é seguro não ter medo. ;)

Complexidade da mente que mente

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Desde o início do ano que a minha mente anda fixa em doenças. Ou melhor, no medo da doença! Tem-se tornado um pouco incómodo, pois qualquer sinal extraordinário (extra-ordinário = que saia do normal) que o meu corpo assinale, a minha mente fica que nem uma comadre histérica!

 

Esta minha - vamos lá - preocupação, já passou por várias fases: começou com um pânico aterrador de que estava com uma doença realmente maligna nesta e naquela parte do corpo (acho que a minha mente imaginativa percorreu o corpo todo mesmo, desde o cérebro, ao sistema linfático) - e agora está no soar a sirene de alerta de cada vez que há algo "anormal" em mim. Partilho isto pois até se tem tornado cómico! Ontem e hoje de manhã, a minha urina estava avermelhada. Mas sem dor... devem imaginar já o que aconteceu: a minha mente pôs o chapéu de bombeiro e soou a sirene bem alto! Depois, lembrei-me - ao ir ao WC fazer algo mais - que tinha bebido sumo de beterraba à tarde ;) No outro dia, ouvi o meu coração (algo raro em mim). Logo veio a mente a dizer que devia estar algo muito grave a acontecer! Só depois percebi que como não estava habituada a ouvir o meu coração - sinal de que eu e o meu corpo estamos, cada vez mais, a viver num todo -, estranhei e nada mais seria. E por aí fora. O meu hábito de pensar de forma menos positiva influência estes desajustes da realidade. Percebi isso recentemente. Porque é que uma dor no ouvido pode ser tida como um problema cerebral e não como uma otite? Porque é que um formigueiro no corpo deve ser assimilado como um problema grave linfático em vez de ser tido como consequência do aumento das temperaturas ou, até, as células e energia do corpo a vibrarem? A minha mente viva e em ebulição alimenta o meu pessimismo existencial, contudo aperceber-me disso está a ser um paço fundamental para a minha aprendizagem. A aceitação e estabelecimento de relação com o meu fervilhar de ideias ansiosas faz-me estar mais apta a encontrar as ferramentas necessárias para conseguir chegar a um mar calmo, depois da tormenta.

 

Li algures que o medo extremo da morte e da doença se devem ao desejo extremo de viver. Pessoas que sentem assim, querem - desesperadamente - viver e sentir a vida. Então, é nessa alegria de viver a vida que me vou focar.

Quando o intestino entra em pânico

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 Hoje estou aqui para vos falar de Pânico. Há tanto que vos quero contar e que nem sempre partilho por não saber nem como começar! A vida só faz sentido se for preenchida por coisas boas, alegres, positivas e que nos fazem vibrar. Contudo, a nossa condição de humanos e os desafios que nos são impostos e nos fazem crescer, são uma realidade. Desta forma, acho importante partilhar alguns dos meus desafios de vida e condição humana. Uma das várias vantagens desta rede global que é a Web é o facto de podermos estar ligados em partilha, de podermos estudar e trocar experiências - de chegarmos de forma incondicional aos outros. Há conforto e sentimento de companhia quando isso acontece. E isso é importante.

 

Comecei a ter ataques de pânico em 2003. Um dia, sai da faculdade - em Lisboa - e senti-me mal perto de uma paragem de autocarro. Muito mal. Consegui voltar à portaria da faculdade e pedir ajuda antes de desmaiar. Uma intoxicação alimentar começava a manifestar-se. Os porteiros ajudaram-me, deram-me água e ficaram comigo até conseguir voltar a erguer-me. Quando isso aconteceu, deram-me a escolher: ou chamavam uma ambulância e eu ia para o hospital, ou eu seguia viagem. Escolhi a segunda opção - tudo o que não queria era, no meu 1º ano de faculdade, dar nas vistas com uma ambulância a apitar para me ir buscar (e depois ter de enfrentar o hospital sozinha e por um tempo que podia prever-se longo). Sai da portaria e não me sentia nada bem - fui até ao interior da FCSH e deitei-me num banco. Adormeci. As minhas colegas ou possíveis conhecidos já tinham saído e tinha de me desenrascar sozinha. Estava com receio de me sentir mal no táxi. Contudo, era a opção mais viável para chegar a casa (felizmente tinha dinheiro para chamar um táxi) e assim foi. A viagem correu bem, fui à farmácia para ser medicada, passei mal uns dias e pronto. Passados 2 dias estava pronta para voltar às aulas e sai de casa. Fui até à paragem do autocarro, esperei, ele chegou, entrei. E foi aí que começou... comecei a sentir-me muito mal, com falta de ar, certa de que ia desmaiar ou vomitar ou tudo ao mesmo tempo. Sufocar. Sai na paragem a seguir e voltei para casa o mais rápido que consegui. Quando entrei no meu porto seguro, o mal-estar passou. Tentei várias vezes ir para a escola: mas nunca conseguia. As sensações foram-se rebuscando apoiadas pela imaginação. Agora, em acrescento ao que descrevi acima, "ficava" com uma infecção urinária super-sónica (chegava à velocidade da luz e sumia-se assim que entrava em casa). Comecei a estudar em casa, não contei nada a ninguém - até porque nem eu sabia bem o que raio era aquilo. Tinha a sorte de não ter faltas na minha faculdade e assim foi. A coisa complicou-se quando percebi que também não conseguia sair à noite, ir ao cinema, entre outras coisas. Actividades com outras pessoas - mesmo que amigas - era complicado: não queria que me vissem a surtar e fugir desvairada por conta da minha imaginação. Sozinha, como podia fugir, conseguia. 

 

Se a mente engana o nosso emocional, nós podemos também enganar a mente. Consegui começar a arranjar truques. Não era perfeito, mas já ajudava. Percebi que, se o sítio onde fosse tivesse um WC onde me pudesse barricar, ter a minha "psicose", acalmar-me e sair quando bem entendesse - eu conseguia lá estar. O WC deveria, de preferência, ter várias cabines para não sentir pressão de que tinha de sair dali rapidamente. Isto foi como começou...

 

Os ataques de pânico, baseados na minha experiência pessoal (nunca estudei o assunto) vão e vêm por fases. Também se refinaram e a minha imaginação fértil aproveitou o assunto para os deixar mais criativos na sua expressão: têm vários temas e circunstâncias. Começaram apenas com sensações físicas, mas a imaginação depressa entra em cena e - se deixarmos - alimenta cenários de medo e insegurança: quase sempre trágicos. Depois de experienciares alguns ataques de pânico, começa algo que nos consome: o medo do medo. Já não tens só medo do pânico, tens medo de ter medo e, consequentemente, tens realmente muito medo e grandes níveis de ansiedade.

 

Depois de muito reflectir sobre isto, penso que os meus ataques de pânico estão relacionados com o medo da dor e da insegurança; a descoberta de que sou humana e, portanto, falível e frágil; e, claro, a percepção do risco que é a vida e da morte. Isto porque o quadro que eu pintava de todas as premissas acima, era inaceitável e terrível.

 

Uma vez li, num livro de Augusto Cury, o seguinte:

o ser humano acede à sua memória através de janelas específicas e o seu maior desafio é abrir o máximo de janelas saudáveis, ou light, para dar respostas inteligentes. Os ataques de pânico são registados pelo cérebro de forma traumática, criando janelas killer. Estas janelas bloqueiam o processo de leitura de milhares de outras janelas saudáveis contraindo, assim, a sua racionalidade. Preso numa janela killer, tornamo-nos irracionais. Desta forma, encarceramos a nossa capacidade de escolha e realimentamos as crises de pânico. Freud acreditava que o trauma original era o grande problema, mas, na realidade, é a retroalimentação que nos adoece. Estas janelas killer são traumas marcantes produzidas por estímulos profundamente stressantes como a traição, as perdas ou a humilhação pública.

 

Vamos pintar um novo quadro

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Quem somos? Em que acreditamos? Quais os nossos valores e porque são esses os valores que habitam na caverna do nosso inconsciente? Que correntes tiveram mais influência sobre nós, moldando-nos mais? Culturais, religiosas, espirituais? Até que ponto somos NÓS? Até que ponto, resistimos de sermos realmente NÓS?

 

É confortável viver com quem acreditamos ser - muitas vezes, na nossa confusão mental do que isto representa. Sentimos que não somos de todo assim, mas não sabemos ou conseguimos perceber como ser de outra forma. Como sair do meio do novelo de nós que está criado à nossa volta. Resistimos... temos vontade de não o fazer, mas muitas vezes, temos mais apreensão do que vontade. Receio do novo, do desconfortável. Ou então, apenas não vimos como podemos construir a nossa nova realidade fiel à nossa vontade interna. É como termos uma tela pintada e não gostarmos do desenho e não percebermos que podemos criar uma tela nova, branca. Quando a tela branca chega, uma dança de borboletas inicia-se na nossa barriga... o coração e entusiasmo querem... a mente e a mão tremem... e se esta também não ficar como sinto? Se falhar nesta também? E se for difícil demais? Há um medo em acreditar que é possível - que é permitido. Há um medo, ainda maior, da frustração e da falha.

 

Pergunto: valerá a pena olharmos para a nossa tela e convivermos com uma pintura que não gostamos e nos enfeita o nosso espaço, em detrimento de tentarmos e tentarmos e tentarmos criar uma tela nova, bem à nossa medida, que cada vez que é observada nos preencha o SER de cima abaixo? Qual será a maior das prisões: uma conformidade e tristeza continua ou um cair e levantar constante, em busca do que ambicionamos? 

 

Muitas vezes, quando não conseguimos ter coragem de acreditar que nos cabe a nós deitar a nossa antiga tela fora e adquirir uma nova, a Vida (ou o Universo, ou Deus, ou a Divindade, ou a Energia,...) dá uma ajuda - como ela tão bem o sabe fazer. Quando tem de ser, podem acontecer experiências fortíssimas que nos obrigam literalmente a largar situações e crenças enraizadas e mudar o nosso "chip". E aí percebemos que não temos de viver em esforço, dificuldade, tensão, numa redoma fechada de luta desgastante. Que podemos superar-nos nesse sentido, reescrever-nos - interna e externamente. Que podemos seguir, deixando o medo, a ansiedade, a sabotagem, o controlo, a frustração e a dúvida pelo caminho. Que somos donos da nossa Essência e que escrevemos a nossa história, as nossas células, cada traço e movimento que emitimos.

 

Não precisamos ser Seres resignados cuja nossa identidade anulamos em detrimento disso.
Podemos identificar padrões... reflectir sobre eles... deixá-los ir com segurança e Amor: libertarmo-nos. Por esta ordem.

 

Vamos aceitar a nossa limitação, entregar, reflectir e, passo a passo, mudar estruturas com muita calma, paz e amor-próprio. Com muito respeito por nós. E, com alegria no nosso coração. É como mergulhar - sem hesitações - num mar negro que, conforme vai sendo explorado em profundidade, fica mais claro, aconchegante e colorido.

 

Por isso, sempre que sentir desafios e resistência, aproveite! Sorria e pegue nisso, identifique, leve do inconsciente para o consciente e crie condições para se expandir e libertar. Não viva mais à deriva... avance. Porque a vida dá-nos apenas estas 2 opções. 

 

A época da ilusão, do medo, das crenças de controle para se chegar à perfeição, estão a ser derrubados por um novo paradigma de entrega total. Estamos a ser convidados para um despertar incrível que nos convida para uma vida de Acreditar.

Por entre "portas" e "travessas"

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No meu encontro do hoje comigo mesma, percebi que a minha mente tinha um feitio péssimo! Quando digo "péssimo", é porque é mesmo intragável! Para além de ter achado bastante pesada, não estava à espera de a encontrar com tamanho mau-feitio, má educação, ego e mania de que quem manda e é a "bad girl" lá do sítio ser ela! Mas, se calhar, antes de avançarmos, é melhor recuarmos um pouco. Não quer que a vossa mente fique com TPM só de ler esta crónica e não perceber patavina.

 

Nas minhas tentativas de me perceber, conhecer, aprimorar (sim, esta palavra dá outro charme à coisa) tenho meditado até ao meu interior. Convém explicar que quando medito - e de forma a fazer uma finta à minha mente - arranjo uma forma bastante animada de me relacionar com as coisas. Quando digo animada, é mesmo animada: muitas das minhas visualizações são feitas através do incrível mundo dos desenhos e cartoons. São coloridos, simples de entender, dinâmicos e rápidos de assimilar. Para além disso, fazem-me rir. Por isso, parece-me bem que assim seja (ao início não me parecia muito bem, uma vez que achava que fazia com que a coisa se tornasse menos séria. Ver um anjo dourado a transmitir-me uma mensagem celestial = válido; ver um cartoon que através do seu humor, cores me diga o que o meu sub-consciente e corpo me querem transmitir = pouco sério, então?!).

 

Posto isto, continuemos. Hoje foi dia de visitar a mente (dei uma espreitadela a alguns órgãos do corpo também) e, fiquei surpreendida com a falta de chá com a qual fui recebida! Que serzinho mais feio! E eu que a tinha em tão boa conta. Se calhar, não a devia ter colocado num pedestal tão alto, nem alimentado com o facto de que a considerava o ser mais importante do meu corpo... A minha mente estava cinzenta, pesada, gritava com os restantes órgãos do corpo e percebi que me condicionada as minhas decisões de vida, auto-estima, segurança em mim, vivacidade e energia vital em demasia. Percebi que, para ela, era mais confortável criar dúvidas que levavam ao medo constante, de forma a me ter sob seu controlo e poder. Tive de lhe dar um valente ralhete, claro está! No meio disto tudo, é engraçado ver como o coração ali estava, a aguardar com a sua sabedoria, paciência, ternura - como grande Mãe que é. Apenas a sorrir, pronto a acolher-me, mesmo depois de ter sido esquecido durante tanto tempo. <3

Um puzzle chamado de Minha Vida

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Há muito que quero começar a escrever sobre o meu Ser mais profundo. É engraçado contar as nossas aventuras e peripécias - minhas e do querido intestino - mas há um apelo para mais. Tanta riqueza de informação, tantos fluxos, momentos, pensamentos, aprendizagens,... que parece quase mal não escrever sobre elas. Mas, sabem como é: o pessoal vai deixando passar... deixando passar... depois, tanta água correu debaixo da ponte que nos perguntamos por onde começar e se ainda fará sentido. Decidi começar do Agora - pois nada mais real do que o Agora, certo? Pelo meio, certamente, alguns rasgos do passado. Que o meu sentir me dê coragem para continuar esta partilha - pois nada me deixa mais feliz. Mas a mente.... é uma malandra e está sempre a tentar das suas! Vem com as suas manhas e abana-nos com ideias estapafúrdias como a de que temos preguiça, não somos capazes, não estamos "naquele dia criativo" conforme se acena com uma cenoura à frente dos olhos de um burro e nós, lá começamos a seguir os seus desígnios todos gulosos!

 

Hoje senti que era tempo de não adiar mais. Até porque estamos a passar por um segundo eclipse (deram-se 2 este mês), que pretende vir cutucar-nos e dizer que chegou um novo tempo, um tempo fora da manipulação do ego (e mente) onde o medo de sentir já não nos deve dominar (se assim for a nossa escolha). O desafio diz-nos para deixarmos para trás a ilusão de que temos que controlar partes do nosso Ser, mascarando essa acção com o facto de que o fazemos para atingir o equilíbrio.

 

Faz 1 ano este mês que eu comecei uma nova etapa de como me relacionar comigo própria: num propósito de conhecimento da minha pessoa verdadeira e de aceitação. Num processo de aceitação que tenho várias peças do meu puzzle espalhadas (muitas delas desconhecidas) e que estas têm de ser encontradas, olhadas, percebidas e juntas às outras para formarem um todo. No fim, não pretendo emoldurar a minha criação e por na parede da minha sala. Pretendo viver o meu puzzle usufruindo das peças todas! Não quero nem aceito ter mais medo do que vou descobrir que sou, da dor, do confronto com o corpo e com o sentir, de assumir a minha pessoa adulta com toda a sua história e percurso até então.

 

O primeiro passo foi saber que queria mudar. Depois, tive de ganhar coragem mascarando esse tempo com algumas actividades que fingiam que estava a remar rumo ao meu objectivo. Houve (e há) muita confusão, dificuldade, ansiedade, andar para a frente e para trás... e para trás mais um bocado, e para a frente mais um nadinha. Ufa. Houve dias em que nada fazia sentido e o pânico toma conta - o desconhecido chega a nós e assusta-nos. Dias de compreensão, entrega e pura alegria. Dias de Amor e clareza - de confiança. 

 

Hoje percebi o quanto é simples o caminho. Tão simples. Mas percebi, também, quantas vezes e com quanta facilidade me esqueço dessas indicações tão simples. Gostava de não me esquecer - mas aceito que o faça - é assim que sou. Na verdade, e vai parecer tão cliché escrito apenas assim, a mente é o que me faz esquecer e confunde. Mas isso vou deixar para outra história... grão a grão, As Crónicas do Intestino Irritável irão encher os papos ;) Obrigado por me acompanharem.