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Crónicas de um Intestino Irritável

Há quem diga que é o segundo cérebro do nosso corpo, há quem defenda que é o mais inteligente. Aqui ficam as crónicas de um intestino irritável com todas as suas peripécias e salamaleques.

Crónicas de um Intestino Irritável

Há quem diga que é o segundo cérebro do nosso corpo, há quem defenda que é o mais inteligente. Aqui ficam as crónicas de um intestino irritável com todas as suas peripécias e salamaleques.

O dia em que emprestei a minha solidão

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Por vezes, de X em X tempos, acontecem aqueles encontros a que algumas pessoas chamam de "improváveis". De quando a quando - quando tudo estagna, uma fase termina e tudo parece prestes a rebentar cá dentro: fico à espera deles como um rato que vai sair de casa e ser apanhada por um gato. São pessoas-chave que aparecem nas nossas vidas em determinada época, que connosco pegam nela, nos dão uma colher gigante para a remexermos, a ajudam a transformar, nos chocalham e erguem pontes. Aparecem em conjunto ou sozinhos e onde tudo parecia estar a ficar escuro, aparece luz.

 

Hoje foi um desses dias por aqui e o intestino bateria palminhas de contente - caso tivesse umas mãozinhas para o fazer. Na falta delas, bato eu.

 

Há cerca de 15 dias que comecei a trabalhar um tema traumático que me afectou no início da Primavera e que eu havia arrumado numa gaveta na esperança que ficasse lá dobrado e guardado - bem quieto e seguro. Ontem foi o dia em a gaveta se abriu e dela saltou tudo o que eu esperava lá ter ficado. Saltou, perseguiu-me e cercou-me por vários lados. Foi neste tumulto interior que recebi uma chamada de uma amiga que ajuda na organização e logística de um espaço chamado Alma Cheia, a contar que uma nova terapeuta tinha ido visitar o espaço e que ela tinha pensado em mim. Era uma pessoa chamada Paula, qualquer coisa sobre nutrição... bláblá... novo método... bláblá...Sem pensar ou ouvir, disse-lhe: tenta agendar uma consulta para mim. Aquelas decisões que são óbvias e que, assim que tomadas, pensamos no porquê de as termos tomado. Quando assim é, desligo o complicómetro o máximo possível. A consulta foi marcada para hoje (que rápido - a sério?) e, antes de me deitar, pensei que talvez fosse melhor desmarcar (que raio ia lá fazer?). Não desmarquei: desliguei e dormi.

 

Hoje lá estava. Antes da consulta comecei a ficar realmente nervosa e impaciente. No meu fundo, sabia que ia ser importante e que ia ter de voltar ao de cima e assumir a vontade de mudança. Isso, às vezes, custa. Outras, dói. Outras, custa e dói. É chato e dá trabalho e pfffff - nós gostamos tanto de viver de papo para o ar. Entrei, descalcei-me sem perguntar (casa, casa - vou por-me à vontade como se tivesse em casa - normalizar - fingir que não me importo e que estou como um peixe na água - afinal, porque raio estou nervosa?!). A terapeuta/especialista - Paula - era diferente do que imaginava: mais baixa. Parei de pensar. Entrámos na sala: a consulta começou (o que é que a Paula faz mesmo? Devia ter prestado mais atenção ao que me foi dito...). Vamos directas ao assunto: viaje até a um momento de grande sofrimento para si (assim tão rápido, sem mais nem menos - OMG e agora?). Vários momentos - 3 para ser mais concreta - passam-me pela cabeça. "Quando nasci" - oiço-me a dizer. Que ironia, sinto-me uma farsolas coitada. Porque será que disse isto? Porque sim. Mas não gosto de estar viva? Gosto sim: uns dias mais, outros menos - mas não quero morrer. Então? Não sei, apenas parece que fui obrigada e não me apetecia. Bom, vamos continuar. Falámos de sentimentos. Que tipo de tristeza sinto? Solidão... Que tipo de solidão? Duas: aquela que se sente quando se está rodeada de pessoas que nos deviam conhecer, mas não conhecem e aquela outra, em que nos sentimos sozinhas no mundo e sem compreensão. E se essa solidão fosse uma peça de roupa, o que seria: umas jardineiras. Descortinámos as jardineiras e a consulta avançou mais um pouco. Emprestas-me as jardineiras durante 30 dias? Sim... porque não? Não me importo de emprestar coisas. Escrevemos um pacto - comprometo-me ao empréstimo. 

 

A consulta continuou, embora não a vá descrever toda hoje. Seria demasiado longo e ainda está demasiado no meu sentir apenas - nem tudo se coloca por palavras sempre. A terapeuta chama-se Paula Mouta e é uma terapeuta de Nutrição Funcional (e tanto mais!). A sua energia - no meu sentir - é bondosa, doce, muito maternal. A sua auto-confiança e amor-próprio contagiaram-me: também quero isso para mim - quero amar-me o suficiente para me achar deslumbrante e me defender, nutrir e acarinhar. O projecto da Paula chama-se In Vivo - Nutrição Funcional - Um modo de vida saudável e podem ler mais sobre ele aqui. Vão ouvir falar muito sobre esta nova experiência por aqui, uma vez que este método integra um programa de 7 fases - todas elas com 21 dias de implementação. Vou contando e partilhando mais sobre o projecto e sobre como o estamos a viver: eu e o intestino! ;)